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sábado, 29 de dezembro de 2018

The House on the BorderlandThe House on the Borderland by William Hope Hodgson
My rating: 2 of 5 stars

Leitura vale como curiosidade, uma vez que inspirou autores como H. P. Lovecraft e Terry Pratchett. Mistura de ficção científica, horror e fantasia, inovou no que se tornou conhecido como "horror cósmico", muito explorado mais tarde por autores como Clark Ashton Smith e o próprio Lovecraft.
Mas se perde quando o manuscrito encontrado por dois aventureiros em uma remota, esquecida e decadente mansão sai do relato do encontro hostil com seres alienígenas para uma viagem pelo universo. A longa descrição dessa jornada pelo tempo, espaço e diferentes dimensões é, em muitos trechos, um delírio astronômico repetitivo e enfadonho.
Personagens como a irmã e um antigo amor do anônimo autor do manuscrito têm participação dispersa. Enfim, um texto por vezes confuso em que, sem aviso, pode surgir um alienígena, uma mulher ou um animal de estimação ainda não apresentado ao leitor.


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domingo, 22 de abril de 2018

"Autoridade"

AutoridadeAutoridade by Jeff VanderMeer
My rating: 4 of 5 stars

Nesse segundo volume da trilogia "Comando Sul", Jeff VanderMeer muda o ponto de vista da bióloga de "Aniquilação" para o posto de observação externo à Área X. Mais personagens, mais fragmentos da história e poucas respostas. O autor consegue manter o clima de suspense e horror no melhor estilo de H. P. Lovecraft.
Com a estreia do filme "Aniquilação" no Netflix fui "obrigado"a partir para a leitura imediata de "Aceitação", que fecha a história intrigante da Área X. Será que fecha? O filme aparenta resumir a trilogia em apenas um longa de menos de duas horas. Tem imagens fascinantes, situações assustadoras e algumas alterações em relação aos livros. E não diminuiu em nada a vontade de lê-los, ao contrário.
Bela ficção cientifica!


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domingo, 20 de dezembro de 2015

Se você é impressionável, não leia sozinho

Entre outras obras, livro inspirou de Arquivo X a Prometheus

Nem todo texto de Howard Phillips Lovecraft seduz o leitor que se dispõe a conhecer sua obra, que passou por fases bem oníricas. A fim de apreciar melhor as “viagens” do autor, vale começar por um título como Nas montanhas da loucura, publicado em fascículos em revistas populares em 1931.

O livro traz o relato, feito em primeira pessoa, de uma expedição científica à Antártica. Bem ao estilo do autor, é um sobrevivente que relata os resultados da incursão a territórios antes inexplorados, e que, defende o narrador, devem se manter assim para o bem da humanidade.

O tom de alerta se justifica porque os pesquisadores que voaram em direção ao pólo sul se defrontam com montanhas gigantescas, guardiãs de segredos de civilizações que antecederam a humanidade em milhões de anos. Depois que os contatos por rádio silenciam, o narrador vai em busca do local do acampamento, onde encontra morte e destruição em meio a montanhas e construções arquitetônicas titânicas.

A exploração de túneis colossais vai revelando vestígios de civilizações ancestrais. Enquanto a interpretação das obras arquitetônicas e esculturas vai revelando a terrível guerra entre alienígenas que chegaram ao planeta e se dividiram entre o fundo dos oceanos e a terra firme, odores e galerias misteriosas permitem descobrir o trágico destino dos exploradores desaparecidos.

O clima criado pela narrativa de Lovecraft mais do que justifica o fato de tantos autores de livros e filmes se inspirarem livremente em sua obra. No ambiente gelado e desértico das regiões mais remotas do continente antártico, surge boa parte da mitologia criada pelo autor. Criaturas de formas, tamanhos  e organismos desconcertantes como Mi-gos, Cthulhu, Celephais e Innsmouth são apresentados ao leitor.

Se você gosta de ficção científica e admira a obra de Lovecraft, não perca mais tempo. Essa história é um deleite. Se você é muito impressionável não deixe para ler Nas montanhas da loucura quando a família inteira viajou e está sozinho em casa.





sábado, 3 de outubro de 2015

Iniciação ao medo

O capricho na edição aumenta o prazer na leitura deste livro 


Não, essas cinco histórias não chegam a tirar o sono. Caso você esteja entre as pessoas que nunca leram um livro de Clive Barker ou Stephen King por receio de não conseguir dormir à noite depois, essa deliciosa antologia é a perfeita iniciação com alguns autores quer fizeram a diferença na literatura.

Todos são de lingua inglesa: Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Phil Robinson, Ambrose Bierce e H.G. Wells, traduzidos por Martha Argel Rosana Rios. Apreciadoras da literatura fantástica, as organizadoras da antologia assinam ainda uma breve introdução que analisa o gênero e suas origens. A edição da Farol Literário imita um livro envelhecido, com belas ilustrações de Samuel Casal.

Em Contos de Suspense os autores exploram nossos medos mais primitivos, como a escuridão, as serpentes, o desconhecido. Habilmente, as tramas nos levam a perceber como o horror quase sempre está em nossa imaginação, e não no sobrenatural. Quase sempre.

O livro tem várias notas de rodapé que localizam o leitor no tempo e nos costumes da época em que se passam as histórias. Chegam a mostrar algumas incoerências nos relatos, mas há um certo exagero ao trazer o significado de algumas palavras em português de uso menos frequente. Há ainda uma breve biografia de cada autor.

Se você não é extremamente sensível, vai conseguir dormir depois de ler Contos de Suspense. E dormir com a gostosa sensação de ter desfrutado pouco mais de uma agradável hora em uma boa leitura.

sábado, 25 de abril de 2015

Os pesadelos de Lovecraft

Delírios de uma mente criativa

A vida real de Howard Phillips Lovecrat em Providence e o mundo delirante que inspirou a obra do escritor misturam-se nessa biografia em quadrinhos da Vertigo, lançada no Brasil pela editora Devir.  O roteiro é de Hans Rodionoff, a arte é dos quadrinistas Enrique Breccia e Keith Giffen.

As páginas de Lovecraft alternam tons sépias e cores para traduzir os delírios do autor, que baseou boa parte de seus contos em sonhos perturbadores. Essas imagens de monstruosidades são reveladas aos longo do relato da infância de Lovecraft, a perda prematura do pai após um longo período de doença e alienação, logo seguida pela do avô, que lia histórias assustadoras para o menino.

A idade adulta - mas ainda não livre da superproteção da mãe - as dificuldades com a pressão dos editores por histórias menos "sofisticadas", a curta passagem por Nova York e o mais curto (e conturbado) casamento com Sonia são retratados na obra. Há talvez uma atenção desproporcional ao breve contato de Lovecraft com o ilusionista Harry Houdini, em detrimento do pouco espaço dedicado ao clube de autores do qual Lovecraft fez parte.

Para quem sabe pouco sobre a vida do autor, influência reconhecida de escritores como Stephen King e Clive Barker, e cineastas como John Carpenter, que assina a introdução da HQ, é uma ótima oportunidade de conhecê-lo melhor. Para os fãs de Lovecraft, a leitura é obrigatória.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O mestre do indizível

A capa da biografia entrega muito de Lovecraft, um autor totalmente misturado à sua obra

Escritores que morrem antes de serem reconhecidos fora de seu círculo de amigos mais próximos e chegam a passar fome, para anos ou décadas depois seu trabalho se converter em uma mina de dinheiro nas mãos de desconhecidos, são personagens comuns na história da literatura. Howard Phillips Lovecraft não escapou a essa sina.
Muito do que se vê hoje no cinema e na TV, lê nos livros, quadrinhos e mangás, ouve na música ou mesmo joga em games nasceu em sua mente intrigante. Autores como Alan Moore e Stephen King confessam inspiração livre no trabalho sombrio de Lovecraft, que ganhou uma biografia assinada por S.T. Joshi. Nascido na Índia e radicado nos Estados Unidos, Sunand Tryambak Joshi é um estudioso e admirador da obra do autor. A vida de H. P. Lovecraft foi lançada no final do ano passado em português pela editora Hedra, com venda exclusiva na Livraria Cultura.
Trabalho competente, a biografia é toda referenciada com notas ao fim de cada capítulo. Em alguns trechos, o texto aprofunda o relato da vida de Lovecraft com um tom um tanto acadêmico, mas embora a fluência da leitura perca o ritmo, a construção psicológica e social do autor ganha muito em consistência.
Garoto mimado pela mãe e pelas tias em sua amada cidade de Providence, Lovecraft foi precoce em muitas coisas: na perda do pai, na alfabetização e interesse pela poesia, nas leituras de Edgar Allan Poe e da Balada do Velho Marinheiro aos 6 anos de idade, na rejeição à educação religiosa e ao ensino formal.
Ainda menino, o autor produzia, imprimia e vendia pequenas publicações com artigos e poesias. O que se converteu nos fanzines dos anos 1970 e 1980, e nos blogs de hoje, Lovecraft e seus amigos praticavam nos idos de 1900. Ao longo de sua breve vida, ele participou de ativos grupos de imprensa amadora que promoviam a impressão e publicação de trabalhos com recursos caseiros.
Lovecraft gostava tanto de Química que montou um laboratório em casa. E se apaixonou pela Astronomia: frequentou um observatório por um tempo, escreveu sobre o assunto e chegou a ter três telescópios em casa. Quanto dessa observação, o estudo do cosmos e revelações científicas como as teorias da Relatividade e Quântica influenciaram sua obra vai sendo revelado no atento e documentado retrato que Joshi traça.
O autor sentia-se insignificante diante do universo, sentimento que transferia para toda a humanidade. Daí resultam perturbadoras sequências oníricas e criaturas indescritíveis que transcreve de sua imaginação para o papel em histórias ora recusadas, ora remuneradas por centavos de dólar por palavra.
Quando recebia alguma coisa pela venda para revistas populares - as pulp fictions - Lovecraft mal conseguia pagar suas contas. Mas não abria mão de seu maior prazer: viajar e fazer longas caminhadas por bairros e cidades de arquitetura colonial.
A obra do autor, morto em 1937 aos 46 anos, foi descoberta aos poucos. E, embora composta por contos de qualidade desigual, vem ganhando antologias, edições ilustradas e comentadas. No Brasil, nos anos 1980, antologias foram publicadas pela editora Francisco Alves; a editora Iluminuras publicou outras nos anos 2000. Agora a Hedra vem lançando vários títulos. 
Caprichadas edições especiais, publicadas principalmente nos EUA, têm chegado às boas livrarias daqui. Mas procure. Num domingo, vi um exemplar de The new annotated H. P. Lovecraft, com prefácio do Alan Moore, na vitrine da Livraria Cultura no Bourbon shopping. A qualidade do livro me chamou a atenção, o preço era ótimo, mas parecia haver apenas aquele, com uma etiqueta colada que rasgaria a capa. A atendente da loja bem que tentou. Mas havia outro exemplar, a moça atenciosa descobriu. Estaria na seção Geek, ali mesmo, no mezanino. Loja cheia, me aventurei sozinho, e fui descobrir o volume escondido atrás de uma fileira de mangás, na prateleira junto ao piso, invisível para quem estava de pé.
Procurem, leitores contemporâneos. Esse é um privilégio nosso.
Lovecraft não chegou a ver um livro seu encadernado em capa dura. 


Este eu quase não encontro