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domingo, 21 de junho de 2020

PersépolisPersépolis by Marjane Satrapi
My rating: 5 of 5 stars

Marjane Satrapi viveu sua transição da adolescência para a idade adulta vendo seu país, o Irã, passar de uma monarquia ditatorial para uma república de cunho religioso fundamentalista. Filha e educada por um casal liberal, a jovem vê suas opiniões e atitudes começar a entrar perigosamente em conflito com os guardiões do novo regime.

Para complicar a rotina do país, inicia-se o conflito com o vizinho Iraque. Uma guerra, segundo a opinião do circulo progressista que cerca a família de Marjane, fomentada pela potências ocidentais apenas com o fim de enfraquecer o exército o Irã e ter acesso ao petróleo iraquiano. É assim que a jovem rebelde, para sua proteção, é enviada para estudar na Áustria.

Pelo texto direto e o traço da autora, tem-se contato com um Irã pouco conhecido no ocidente. Um país que passou por vários períodos de dominação, por diferentes correntes religiosas e políticas, até a condição atual em que mulheres não devem sair à ruas sem véus e não podem andar de mãos dadas do nenhum homem que não seja seu pai ou irmão.

Vemos o evoluir dos fatos através de uma jovem que tenta achar coerência diante da perda de um tio executado, amigos mutilados pela guerra, vizinhos mortos por bombardeios, a xenofobia na Europa, drogas e desencantos amorosos. "Persépolis" é um trabalho extraordinário que joga alguma luz sobre um período da história e um país que chegou a ser qualificado como parte do "eixo do mal", mas pouco se sabe sobre seu cotidiano.


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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Bob & Harv - Dois Anti-Heróis AmericanosBob & Harv - Dois Anti-Heróis Americanos by Harvey Pekar
My rating: 4 of 5 stars

Parceria entre dois artistas do underground que resultou numa das melhores fases da revista American Splendor. Harvey Pekar trabalhava como arquivista em um hospital de Cleveland (EUA) e faturava alguns trocados negociando discos raros de jazz, sua paixão. Propõe ao cartunista Robert Crumb desenhar suas histórias, algumas reunidas nessa publicação sobre "dois anti-heróis americanos".

Se o traço de Crumb se caracteriza pelo estilo psicodélico e surrealista, os roteiros de Pekar são lacônicos e retratam situações absolutamente banais do cotidiano. Os dois artistas fazem parte de várias histórias, envolvidos com personagens curiosos e pessoas da contracultura. Tem narrativa que termina quando mal começou, o que faz pensar: "Mas não é assim mesmo?"


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terça-feira, 14 de abril de 2020

Billie HolidayBillie Holiday by Carlos Sampayo
My rating: 4 of 5 stars

Breve biografia em quadrinhos, desenhada por José Antonio Muñoz, com argumento de Carlos Sampayo, ambos argentinos. Traço em preto e branco resume a ascensão e momentos mais difíceis da vida de Billie Holiday.

Li em uma edição antiga da L&PM, mas há uma edição de 2017 da Editora Mino.


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sábado, 21 de março de 2020

ReportagensReportagens by Joe Sacco
My rating: 5 of 5 stars

Nascido em Malta, Joe Sacco vive nos EUA mas tem uma visão particular de conflitos ao redor do mundo. Põe especial atenção nos efeitos que guerras, hostilidades emigrações têm nas camadas mais vulneráveis da população.
E faz jornalismo em quadrinhos, o que contribui para centralizar o foco na população civil que mais sofre com os efeitos dos conflitos e nos campos de refugiados. Pessoas que recorrem à vida militar como única alternativa de obter recursos financeiros também têm a atenção de Joe Sacco.
Enfim, um jornalista que dá voz aos que sofrem os efeitos de conflitos e rivalidades. Impressionante é contatar que muito dos graves problemas tem origem em crenças religiosas e apartheid social.
"Reportagens" traz coberturas feitas pelo jornalistas em diferentes partes do mundo, incluindo sua terra natal. Elas foram publicadas em periódicos que abrem espaço para essa linguagem de quadrinhos, vista por muita gente como voltada para crianças. No caso de Joe Sacco e outros autores, porém, não há nada de infantil. É preciso ler aos poucos, porque desperta emoções duras.


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domingo, 17 de dezembro de 2017

Stephen King não ficou bom em HQ

Histórias viraram um filme de George Romero

Os roteiros são assinados por Stephen King, mas apenas duas das seis histórias são razoáveis. Como passatempo vale uma horinha por conta dos desenhos de Bernie Wrightson, nos estilo dos clássicos quadrinhos de horror dos anos 1950 e 1960.


sábado, 12 de setembro de 2015

Poema em quadrinhos

Dino Buzzati convida a revisitar o mito de Orfeu e Eurídice
Dino Buzzati confessou certa vez sua frustração por não ter sido reconhecido como artista plástico. Não deixou por menos: além de seus contos e novelas fascinantes, deixou Poema em quadrinhos, em que, através dos personagens Orfi e Eura, recria o trágico mito de Orfeu e Eurídice, da antiga Grécia.

Orfi desce ao mundo dos mortos em busca de sua amada. Lá, encontra o Diabo representado de maneira muito original por Buzzati, sofre tentações, experimenta reflexões e, como no mito grego original, se vale de seu talento musical.

Jornalista e escritor, Buzzati mata sua vontade e faz literatura gráfica de alta qualidade, recontando o antigo mito com trechos e traços que vão do pop ao surrealismo, temperado com erotismo e alguns momentos no estilo de Robert Crumb. Apaixonado pelas montanhas e alpinista praticante, o italiano de Belluno inclui até um momento em que os personagens fazem uma travessia em uma parede de rocha.

A capa segue a linha da provocação do autor
Lançado em 1969, Poema e quadrinhos foi editado no Brasil pela  Cosac Naify em 2010, com tradução de Eduardo Sterzi e uma provocante capa rosa de Maria Carolina Sampaio.

sábado, 25 de abril de 2015

Os pesadelos de Lovecraft

Delírios de uma mente criativa

A vida real de Howard Phillips Lovecrat em Providence e o mundo delirante que inspirou a obra do escritor misturam-se nessa biografia em quadrinhos da Vertigo, lançada no Brasil pela editora Devir.  O roteiro é de Hans Rodionoff, a arte é dos quadrinistas Enrique Breccia e Keith Giffen.

As páginas de Lovecraft alternam tons sépias e cores para traduzir os delírios do autor, que baseou boa parte de seus contos em sonhos perturbadores. Essas imagens de monstruosidades são reveladas aos longo do relato da infância de Lovecraft, a perda prematura do pai após um longo período de doença e alienação, logo seguida pela do avô, que lia histórias assustadoras para o menino.

A idade adulta - mas ainda não livre da superproteção da mãe - as dificuldades com a pressão dos editores por histórias menos "sofisticadas", a curta passagem por Nova York e o mais curto (e conturbado) casamento com Sonia são retratados na obra. Há talvez uma atenção desproporcional ao breve contato de Lovecraft com o ilusionista Harry Houdini, em detrimento do pouco espaço dedicado ao clube de autores do qual Lovecraft fez parte.

Para quem sabe pouco sobre a vida do autor, influência reconhecida de escritores como Stephen King e Clive Barker, e cineastas como John Carpenter, que assina a introdução da HQ, é uma ótima oportunidade de conhecê-lo melhor. Para os fãs de Lovecraft, a leitura é obrigatória.