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domingo, 21 de junho de 2020

PersépolisPersépolis by Marjane Satrapi
My rating: 5 of 5 stars

Marjane Satrapi viveu sua transição da adolescência para a idade adulta vendo seu país, o Irã, passar de uma monarquia ditatorial para uma república de cunho religioso fundamentalista. Filha e educada por um casal liberal, a jovem vê suas opiniões e atitudes começar a entrar perigosamente em conflito com os guardiões do novo regime.

Para complicar a rotina do país, inicia-se o conflito com o vizinho Iraque. Uma guerra, segundo a opinião do circulo progressista que cerca a família de Marjane, fomentada pela potências ocidentais apenas com o fim de enfraquecer o exército o Irã e ter acesso ao petróleo iraquiano. É assim que a jovem rebelde, para sua proteção, é enviada para estudar na Áustria.

Pelo texto direto e o traço da autora, tem-se contato com um Irã pouco conhecido no ocidente. Um país que passou por vários períodos de dominação, por diferentes correntes religiosas e políticas, até a condição atual em que mulheres não devem sair à ruas sem véus e não podem andar de mãos dadas do nenhum homem que não seja seu pai ou irmão.

Vemos o evoluir dos fatos através de uma jovem que tenta achar coerência diante da perda de um tio executado, amigos mutilados pela guerra, vizinhos mortos por bombardeios, a xenofobia na Europa, drogas e desencantos amorosos. "Persépolis" é um trabalho extraordinário que joga alguma luz sobre um período da história e um país que chegou a ser qualificado como parte do "eixo do mal", mas pouco se sabe sobre seu cotidiano.


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sábado, 20 de abril de 2019

Outubro: História da Revolução RussaOutubro: História da Revolução Russa by China Miéville
My rating: 5 of 5 stars

O que leva um escritor de ficção-científica à aventura de escrever sobre a maior revolução socialista da história? É fácil entender quando se conhece um pouco mais sobre China Miéville. O inglês não é apenas um criativo autor de ficção weird, ou bizarra, mas também professor, acadêmico, político e militante de esquerda.

A partir de extensa documentação e bibliografia, em "Outubro: História da Revolução Russa" Miéville repassa os episódios a partir de abril de 1917, quando o czar Nicolau II é levado a renunciar diante da revolta de vários setores da sociedade - e seu irmão Miguel recusa-se a assumir em seu lugar. Seguem-se os capítulos que levam os nomes dos meses até outubro, quando os bolcheviques finalmente assumem o poder na Rússia.

Como em "Dez dias que abalaram o mundo", de John Reed, o autor relata o que acontece nas ruas e no interior de salões esfumaçados. Formam-se comitês de trabalhadores, soldados e representantes de diferentes etnias e de regiões remotas da Rússia. É um período absolutamente conturbado, em que o poder é disputado por várias correntes políticas e ao menos uma importante tentativa de contrarrevolução. No lado externo , o país sofre e perde centenas de milhares de soldados nas frentes de batalha da Segunda Guerra Mundial.

As semanas e meses se arrastam, com passeatas e manifestações mais ou menos violentas, encontros, reuniões, assembleias e conspirações. A violência política, a criminalidade e a fome avançam. Mas há registros pitorescos, como o relato sobre Lenin disfarçado com peruca e roupas de bêbado para evitar ser preso - ou pior - nas mãos de inimigos políticos, o poderoso cruzador Aurora impossibilitado de disparar em um momento crítico na revolução por falta de munição ou ainda uma decisiva lanterna vermelha que ninguém consegue encontrar.

"Outubro: História da Revolução Russa" resume um período fascinante da história. Como em "Dez dias que abalaram o mundo", de John Reed, muito se passa no interior de grandes salas e reuniões intermináveis, envolvendo muitos personagens. Longos trechos do relato se arrastam de um comício para uma assembleia e de lá para o encontro de um comitê. Mas não dá para parar de ler, ainda que o desfecho seja conhecido há um século.

Ajuda muito no fluxo da leitura o livro trazer ainda uma breve biografia de homens e mulheres que desempenharam diferentes papéis na disputa pelo poder, fotos de alguns dos protagonistas da revolução e extensa bibliografia para quem quiser se aprofundar no assunto.

Obra indispensável para conhecer esse período da história.

Em tempo: não consegui achar o livro impresso em várias livrarias (não cheguei a procurar em sebos). Mas a obra publicada pela editora Boitempo, com tradução de Heci Regina Candiani, está disponível no formato eletrônico.


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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O Dia de ÂngeloO Dia de Ângelo by Frei Betto
My rating: 4 of 5 stars

Um romance quase didático do frade dominicano e escritor conhecido como Frei Betto. Didático porque retrata sob o manto da ficção o que se passava nas prisões políticas durante o período mais duro da ditadura militar no Brasil, nos anos 1970.
Privação da liberdade, tortura, a discordância entre as linhas de atuação da esquerda, a paranoia do anticomunismo, os acertos entre políticos e militares, os grupos econômicos de interesse. Todos esses aspectos são contemplados nesse romance curto publicado em 1987 pela extinta Brasiliense. Merece e precisa ser lido por sua atualidade.


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sábado, 23 de dezembro de 2017

Waterloo

Waterloo: The True Story of Four Days, Three Armies and Three BattlesWaterloo: The True Story of Four Days, Three Armies and Three Battles by Bernard Cornwell
My rating: 5 of 5 stars

Excelente síntese da batalha que definiu a derrota de Napoleão. O autor ora descreve as decisões militares, a estratégia e os grandes movimentos táticos, ora coloca o leitor no centro dos combates, fechando o foco em detalhes e episódios do conflito.


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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Fiel retrato da aventura humana

O livro foi lançado em 1997, mas a leitura se mantém atual


Armas, germes e aço - o destino das sociedades humanas estava na minha lista de leitura há tempos, e não decepcionou. Se já vinha com a chancela dos prêmios Pulitzer e Aventis, da Real Sociedade de Ciências de Londres, como melhor livro de divulgação científica, o trabalho de Jared Diamond, professor de Geografia da Universidade da Califórnia, é um retrato fascinante da história das sociedades humanas nos últimos milhares de anos.


Por que a Ásia e a Europa colonizaram a Oceania e as Américas e não ocorreu o contrário? A domesticação e a extinção de animais, o uso de terras férteis e desertos, o domínio da metalurgia, a transmissão de doenças e até a disposição geográfica dos continentes são analisados pelo autor para compreender o que levou à dominação de alguns grupos por outros.

Não escrevo mais para não correr o risco de um spoiler. Sim, porque há muitas constatações e conclusões surpreendentes. Tudo numa linguagem muito clara. O dom de um professor que foi a campo e sabe transmitir seu conhecimento.