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terça-feira, 14 de abril de 2020

Billie HolidayBillie Holiday by Carlos Sampayo
My rating: 4 of 5 stars

Breve biografia em quadrinhos, desenhada por José Antonio Muñoz, com argumento de Carlos Sampayo, ambos argentinos. Traço em preto e branco resume a ascensão e momentos mais difíceis da vida de Billie Holiday.

Li em uma edição antiga da L&PM, mas há uma edição de 2017 da Editora Mino.


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terça-feira, 20 de novembro de 2018

sábado, 25 de abril de 2015

Os pesadelos de Lovecraft

Delírios de uma mente criativa

A vida real de Howard Phillips Lovecrat em Providence e o mundo delirante que inspirou a obra do escritor misturam-se nessa biografia em quadrinhos da Vertigo, lançada no Brasil pela editora Devir.  O roteiro é de Hans Rodionoff, a arte é dos quadrinistas Enrique Breccia e Keith Giffen.

As páginas de Lovecraft alternam tons sépias e cores para traduzir os delírios do autor, que baseou boa parte de seus contos em sonhos perturbadores. Essas imagens de monstruosidades são reveladas aos longo do relato da infância de Lovecraft, a perda prematura do pai após um longo período de doença e alienação, logo seguida pela do avô, que lia histórias assustadoras para o menino.

A idade adulta - mas ainda não livre da superproteção da mãe - as dificuldades com a pressão dos editores por histórias menos "sofisticadas", a curta passagem por Nova York e o mais curto (e conturbado) casamento com Sonia são retratados na obra. Há talvez uma atenção desproporcional ao breve contato de Lovecraft com o ilusionista Harry Houdini, em detrimento do pouco espaço dedicado ao clube de autores do qual Lovecraft fez parte.

Para quem sabe pouco sobre a vida do autor, influência reconhecida de escritores como Stephen King e Clive Barker, e cineastas como John Carpenter, que assina a introdução da HQ, é uma ótima oportunidade de conhecê-lo melhor. Para os fãs de Lovecraft, a leitura é obrigatória.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Shadow reading

O título foi lançado no Brasil pela L&PM

Já comentei aqui como migrando de podcasts sobre literatura cheguei ao Booktube, um universo de apaixonados comentaristas sobre livros e leitura no Youtube. Um dos canais de destaque é o Tiny Little Things, de Tatiana Feltrin. Professora de inglês, ela dá uma bela explicação sobre o shadow reading, uma técnica que mescla o prazer da leitura com um eficiente reforço no estudo do idioma.

Basicamente, é preciso ter o livro no original em inglês e sua versão em áudio. Primeiro, ouve-se o texto acompanhando o impresso; depois, apenas escuta-se a narração. Por fim, o mesmo trecho é ouvido uma terceira vez, ao mesmo tempo em que se lê o texto em voz alta.

Tatiana exibe como exemplo Touching the void, um impressionante relato de sobrevivência nos Andes peruanos (foi lançado em português como Tocando o vazio. A edição mostrada por ela é da Macmillan Readers: o livro em inglês vem acompanhando pelo CD. Mas vale acrescentar que há milhares de audiobooks, muitos deles vendidos com preço especial para quem compra áudio e ebook juntos na Audible/Amazon. Procurando, é possível achar clássicos em áudio.

A experiência é interessante. Comecei esta semana com Big Sur, de Jack Kerouac, narrado por Tom Parker (um dos pseudônimos de Grover Gardner, uma das "vozes de ouro" da Audible. Talvez não tenha sido a melhor escolha, pelo estilo e linguagem do autor beatnik, mas rapidamente a leitura-audição tornou-se estimulante.
Comento mais à frente sobre esse livro.


Big Sur é narrado por uma das melhores vozes da locução profissional


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O mestre do indizível

A capa da biografia entrega muito de Lovecraft, um autor totalmente misturado à sua obra

Escritores que morrem antes de serem reconhecidos fora de seu círculo de amigos mais próximos e chegam a passar fome, para anos ou décadas depois seu trabalho se converter em uma mina de dinheiro nas mãos de desconhecidos, são personagens comuns na história da literatura. Howard Phillips Lovecraft não escapou a essa sina.
Muito do que se vê hoje no cinema e na TV, lê nos livros, quadrinhos e mangás, ouve na música ou mesmo joga em games nasceu em sua mente intrigante. Autores como Alan Moore e Stephen King confessam inspiração livre no trabalho sombrio de Lovecraft, que ganhou uma biografia assinada por S.T. Joshi. Nascido na Índia e radicado nos Estados Unidos, Sunand Tryambak Joshi é um estudioso e admirador da obra do autor. A vida de H. P. Lovecraft foi lançada no final do ano passado em português pela editora Hedra, com venda exclusiva na Livraria Cultura.
Trabalho competente, a biografia é toda referenciada com notas ao fim de cada capítulo. Em alguns trechos, o texto aprofunda o relato da vida de Lovecraft com um tom um tanto acadêmico, mas embora a fluência da leitura perca o ritmo, a construção psicológica e social do autor ganha muito em consistência.
Garoto mimado pela mãe e pelas tias em sua amada cidade de Providence, Lovecraft foi precoce em muitas coisas: na perda do pai, na alfabetização e interesse pela poesia, nas leituras de Edgar Allan Poe e da Balada do Velho Marinheiro aos 6 anos de idade, na rejeição à educação religiosa e ao ensino formal.
Ainda menino, o autor produzia, imprimia e vendia pequenas publicações com artigos e poesias. O que se converteu nos fanzines dos anos 1970 e 1980, e nos blogs de hoje, Lovecraft e seus amigos praticavam nos idos de 1900. Ao longo de sua breve vida, ele participou de ativos grupos de imprensa amadora que promoviam a impressão e publicação de trabalhos com recursos caseiros.
Lovecraft gostava tanto de Química que montou um laboratório em casa. E se apaixonou pela Astronomia: frequentou um observatório por um tempo, escreveu sobre o assunto e chegou a ter três telescópios em casa. Quanto dessa observação, o estudo do cosmos e revelações científicas como as teorias da Relatividade e Quântica influenciaram sua obra vai sendo revelado no atento e documentado retrato que Joshi traça.
O autor sentia-se insignificante diante do universo, sentimento que transferia para toda a humanidade. Daí resultam perturbadoras sequências oníricas e criaturas indescritíveis que transcreve de sua imaginação para o papel em histórias ora recusadas, ora remuneradas por centavos de dólar por palavra.
Quando recebia alguma coisa pela venda para revistas populares - as pulp fictions - Lovecraft mal conseguia pagar suas contas. Mas não abria mão de seu maior prazer: viajar e fazer longas caminhadas por bairros e cidades de arquitetura colonial.
A obra do autor, morto em 1937 aos 46 anos, foi descoberta aos poucos. E, embora composta por contos de qualidade desigual, vem ganhando antologias, edições ilustradas e comentadas. No Brasil, nos anos 1980, antologias foram publicadas pela editora Francisco Alves; a editora Iluminuras publicou outras nos anos 2000. Agora a Hedra vem lançando vários títulos. 
Caprichadas edições especiais, publicadas principalmente nos EUA, têm chegado às boas livrarias daqui. Mas procure. Num domingo, vi um exemplar de The new annotated H. P. Lovecraft, com prefácio do Alan Moore, na vitrine da Livraria Cultura no Bourbon shopping. A qualidade do livro me chamou a atenção, o preço era ótimo, mas parecia haver apenas aquele, com uma etiqueta colada que rasgaria a capa. A atendente da loja bem que tentou. Mas havia outro exemplar, a moça atenciosa descobriu. Estaria na seção Geek, ali mesmo, no mezanino. Loja cheia, me aventurei sozinho, e fui descobrir o volume escondido atrás de uma fileira de mangás, na prateleira junto ao piso, invisível para quem estava de pé.
Procurem, leitores contemporâneos. Esse é um privilégio nosso.
Lovecraft não chegou a ver um livro seu encadernado em capa dura. 


Este eu quase não encontro