Mostrando postagens com marcador DarkSide Books. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DarkSide Books. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de dezembro de 2019

A longa viagem a um pequeno planeta hostil (Wayfarers, #1)A longa viagem a um pequeno planeta hostil by Becky Chambers
My rating: 3 of 5 stars

Uma história de ficção científica de viés otimista sem medo de explorar os clichês mais comuns do gênero. Temas como tolerância e convívio harmonioso entre os muito diferentes estão sempre presentes, em relacionamentos sociais, amorosos e sexuais sem distinção de espécie ou gênero.

A autora explora conflitos pessoais e galácticos envolvendo a tripulação de uma nave cuja missão é apenas a prestação de serviços. No caso, abrir "buracos de minhoca" para abreviar viagens interplanetárias. Filha de cientistas ligados à exploração do espaço, Becky Chambers consegue passar conceitos de Física em linguagem acessível. E cria algumas situações interessantes para os fãs do gênero, embora no geral seu estilo seja bem juvenil, com uso de piadinhas muito fáceis.

Leitura descompromissada. Acredito que o livro seja supervalorizado pela história pessoal da autora. Becky Chambers conseguiu reunir leitores para sua obra através de um esforço de autopublicação que acabou por atrair a atenção dos editores. Ela conta essa experiência em um breve relato no fim de "A longa viagem a um pequeno planeta hostil" que foi mantido na edição da DarkSide. A boa tradução é de Flora Pinheiro.


View all my reviews

domingo, 16 de dezembro de 2018

Black Dog: Os Sonhos de Paul NashBlack Dog: Os Sonhos de Paul Nash by Dave McKean
My rating: 5 of 5 stars

Nenhuma guerra é bonita, mas este livro é uma bela obra. Dave McKean parte das pinturas e textos do artista inglês Paul Nash - que esteve no front como soldado e depois oficial artista - para criar um resgate sombrio da Primeira Guerra Mundial. 2018 marca o centenário do fim do conflito.


View all my reviews

sábado, 6 de outubro de 2018

Uma boa história de bruxas


Edição caprichada traz textos e ilustrações extras revelando o processo criativo dos artistas 

Uma carcaça de automóvel abandonada no meio de um bosque e dois garotos com muita imaginação criativa. Já adulto, um dos meninos - autodeclarado "ansioso" - usa o talento como escritor para traduzir as fantasias juvenis e suas dúvidas com relação à educação dos filhos em uma história original explorando o mito das bruxas.

Wytches é uma boa história de horror escrita por Scott Snyder. Os elementos sombrios, como um trauma do passado, a floresta escura e a família que escolhe viver em um casarão isolado estão presentes. E a narrativa fragmentada contribui para o clima de incerteza que vai envolvendo personagens e o próprio leitor.

Não é por acaso que os quatro artistas envolvidos nessa graphic novel têm crédito na capa. Os traços de Jock, as cores de Matt Hollingsworth e as letras de Clem Robins combinam com perfeição para transmitir o clima de angústia imaginado por Snyder.

A bela edição encadernada, em formato especial da Darkside, traz seis textos complementares assinados pelo autor do argumento. Snyder fala de experiências próprias, temores pessoais e como eles influenciaram a concepção da história e seus personagens. Com fotos do local de sua pré-adolescência que inspiraram a graphic novel.

As páginas finais trazem ainda algumas sequências que ilustram o processo criativo, desde os esboços às técnicas finais de coloração.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Fragmentos do HorrorFragmentos do Horror by Junji Ito
My rating: 4 of 5 stars

Leitura legal para um Dia do Orgulho Nerd. Tem sua pegada "Contos da Cripta", mas as tramas vão muito além da vingança-que-vem-do-túmulo da publicação norte-americana. O japonês Junji Ito vai fundo nos pesadelos, alucinações e ilustra com muito talento as situações perturbadoras que envolvem os personagens.
A bela edição encadernada da Darkside que reúne as oito narrativas só tem como problema não permitir abrir muito o livro. Isso atrapalha um pouquinho a leitura dos textos junto à costura central.


View all my reviews

domingo, 20 de setembro de 2015

Pinhead está nas livrarias

Pinhead, um dos personagens mais assustadores da literatura de horror

Vampiros, lobisomens, mortos-vivos e múmias frequentam a imaginação das pessoas muito antes de a literatura fantástica se popularizar. Mitos antigos, esses seres ganharam relevância com a obra de Bram Stocker, Mary Shelley e o cinema. Mas os Cenobitas de Clive Barker, com suas cicatrizes, mutilações e perversidade, inovaram o gênero horror. "Eu vi o futuro do Horror... E seu nome é Clive Barker", disse Stephen King, em uma declaração muitas vezes citada.

O responsável por todo esse impacto é Pinhead, pálido, grotesco e cruel líder dos Cenobitas em The hellbound heart, novela que acabou originando uma série de filmes. O primeiro deles, Hellraiser - Renascido do Inferno, teve roteiro e direção do próprio Clive Barker. Assistir ao filme de 1987 hoje é estranhar roupas e penteados, mas Hellreiser é uma história que não envelhece.

A trama gira em torno de um cubo sugestivamente conhecido como Configuração do Lamento. Em troca da alma do interessado, decifrar o enigma do cubo abre portais para prazeres sem limites. Abre também caminho para a entrada dos Cenobitas, em uma dimensão onde dor e prazer, sensualidade e sadomasoquismo se confundem. Queira a pessoa que manipulou o cubo ou não. Não há espaço para arrependimentos.

Renascido do inferno resultou uma sequência de sete filmes no total, várias histórias em quadrinhos, inspirou outros artistas, personagens de cinema e bandas de rock. Mas, surpresa, a novela original só consegui achar em inglês. A editora Civilização Brasileira lançou os Livros de Sangue de Barker nos anos 1990, mas só agora a editora Darkside põe no mercado Hellraiser - Renascido do Inferno, no trigésimo aniversário do lançamento do título.

A "edição para colecionador" tem capa dura e custa R$ 49,90
Como tem sido característico da editora, o livro de 160 páginas chega em duas apresentações, brochura e capa dura, com tradução de Alexandre Callari. 

Ouvi recentemente uma entrevista com Clive Barker, recuperado após um longo período em coma, resultante de uma ida ao dentista. Voz abatida, traduzindo um enorme esforço para falar, o inglês de 62 anos de idade que elegeu Los Angeles como casa, mantém uma coleção de cobras, aranhas e ratos. Quanto dessas excentricidades alimentam sua imaginação eu não sei, mas quem gosta do gênero Horror precisa ler sua obra.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A volta de Tubarão

Capa dura, e assustadora
Não importa muito que, revisto hoje, Tubarão seja um filme com "defeitos visuais": o monstro mecânico já havia dado problemas nas filmagens, mas foi um sucesso. Steven Spielberg foi muito feliz na condução de um suspense inovador, mas a história havia sido publicada um ano antes, em 1974, pelo escritor norte-americano Peter Benchley.

A DarkSide está relançando Tubarão 40 anos após sua primeira edição. Vampiros, zumbis e outros monstros foram reinventandos e tiveram seu espaço na cultura pop nesse período. Os efeitos especiais para cinema e TV evoluíram muito, mas a narrativa do monstro marinho, ameaça invisível e imprevisível abaixo da linha d'água, continua assustadora.


Li Tubarão quando foi lançado em português, uma trama densa e angustiante que contrasta a quase impotência das pessoas, em um ambiente hostil, às voltas com uma fera que devora homens. Benchley deixou de lado o horror despertado por seres sobrenaturais ou a ameaça de alienígenas hostis para falar de uma criatura real. Por isso o livro é assustador, ainda mais que o filme.


Tubarão - no papel e nas telas - vilanizou o animal de tal maneira que levou Benchley a tornar-se um ambientalista, comprometido inclusive com a defesa dos tubarões diante da matança indiscriminada que os animais sofrem. O autor morreu em 2006, quando a obra já somava mais de 20 milhões de exemplares vendidos. Tubarões continuam sendo capturados para ter a barbatana removida - é preparada como sopa - e devolvidos ao mar.


A sugestiva imagem do cartaz do filme está na capa de Tubarão 

Traduzido por Carla Madeira, Tubarão (Jaws, no original) tem preço sugerido de R$ 39,90 em brochura e R$ 59,90 na edição limitada com capa dura. São 280 páginas. Pegue o seu, acomode-se no lugar preferido e leia ao som da premiada e inesquecível trilha sonora de John Williams.





quarta-feira, 11 de março de 2015

Fantástico circo mecânico

A capa é intrigante. A hisória também
Desconcertante é um adjetivo que traduz bem O circo mágico Tresaulti, romance de estreia da norte-americana Genevieve Valentine. A jovem escritora norte-americana (completa 34 anos em primeiro de julho) investe no tema steampunk em um universo pós-apocalíptico em que pessoas e mecanismos vivem uma relação, digamos, metálica e carnal.

A trama se desenvolve de maneira fragmentada, onde a magia do circo, a relação entre os artistas e Boss, sua chefe, salvadora e protetora, o público e a sugestão de uma misteriosa ameaça estão sempre envoltos em um clima fantástico. Os limites entre máquina e corpo podem se confundir e nem ser muito claros para o leitor, mas isso acaba não sendo importante. O humano é o que ainda move os personagens: ciúme, inveja, ansiedade, paixão e medo. Muito medo.

Como toda atração mambembe, o circo está sempre em movimento por estradas e cidades de um território não identificado, sob uma atmosfera opressiva. Mas em busca de novos públicos ou à fuga da ameaça invisível? A dúvida e a tensão se mantêm ao longo da narrativa até o desfecho que pode até não surpreender, mas é melhor que você não chegue nesse trecho se precisa acordar cedo no dia seguinte. O final é garantia de só largar o livro na última página.

O circo mágico Tresaulti foi lançado no Brasil em 2013 pela Dark Side Books, com a mesma capa da edição original dos EUA, e que atraiu minha atenção na livraria. Os leitores brasileiros da tradução feita por Dalton Caldas, no entanto, tiveram como bônus as belas ilustrações do quadrinista e animador Wesley Rodrigues.

Mitologia de duas culturas em uma embalagem atraente
A editora anuncia para abril mais um romance fantástico de outra norte-americana. Golem e o Gênio, de Helene Wecker, é uma fantasia histórica na Nova York da virada do século XX, envolvendo seres mitológicos das culturas árabe e judaica. A criatura feita de barro e o gênio liberado de uma antiga garrafa de cobre dão título ao livro de capa dura com 460 páginas.

Golem e o Gênio tem recebido elogios no exterior. Vale conferir se a trama e o textos serão tão atraentes em português quanto a capa. O desafio da tradução ficou para Cláudia Guimarães.