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domingo, 16 de dezembro de 2018

Black Dog: Os Sonhos de Paul NashBlack Dog: Os Sonhos de Paul Nash by Dave McKean
My rating: 5 of 5 stars

Nenhuma guerra é bonita, mas este livro é uma bela obra. Dave McKean parte das pinturas e textos do artista inglês Paul Nash - que esteve no front como soldado e depois oficial artista - para criar um resgate sombrio da Primeira Guerra Mundial. 2018 marca o centenário do fim do conflito.


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sábado, 6 de outubro de 2018

Uma boa história de bruxas


Edição caprichada traz textos e ilustrações extras revelando o processo criativo dos artistas 

Uma carcaça de automóvel abandonada no meio de um bosque e dois garotos com muita imaginação criativa. Já adulto, um dos meninos - autodeclarado "ansioso" - usa o talento como escritor para traduzir as fantasias juvenis e suas dúvidas com relação à educação dos filhos em uma história original explorando o mito das bruxas.

Wytches é uma boa história de horror escrita por Scott Snyder. Os elementos sombrios, como um trauma do passado, a floresta escura e a família que escolhe viver em um casarão isolado estão presentes. E a narrativa fragmentada contribui para o clima de incerteza que vai envolvendo personagens e o próprio leitor.

Não é por acaso que os quatro artistas envolvidos nessa graphic novel têm crédito na capa. Os traços de Jock, as cores de Matt Hollingsworth e as letras de Clem Robins combinam com perfeição para transmitir o clima de angústia imaginado por Snyder.

A bela edição encadernada, em formato especial da Darkside, traz seis textos complementares assinados pelo autor do argumento. Snyder fala de experiências próprias, temores pessoais e como eles influenciaram a concepção da história e seus personagens. Com fotos do local de sua pré-adolescência que inspiraram a graphic novel.

As páginas finais trazem ainda algumas sequências que ilustram o processo criativo, desde os esboços às técnicas finais de coloração.

sábado, 25 de julho de 2015

Como vivem os mortos

A versão em graphic novel conta com vários artistas
Neil Gaiman se apropria de lendas e tradições antigas, tempera com doses de mistério e suspense e ambienta a trama em um cemitério - lugar que normalmente intimida as pessoas. The graveyard book fala de um espaço em que há, sim, medo e criaturas sinistras, mas também tolerância, reconciliação, amor e conhecimento. Resta saber como o autor vai resolver a intrigante situação de Nobody Owens.

Sete artistas alternam-se nas ilustração dessa versão em quadrinhos. Se, por um lado, isso causa certa estranheza na mudança abrupta de traços com que os personagens são retratados, por outro permite conhecer e comparar a obra de diferentes quadrinistas. Não chega a comprometer o sabor da narrativa em que mortos "levam uma vida" quase normal, e até tem seu dia de festa.

The graveyard book foi publicado em português pela editora Rocco como O livro do cemitério, uma edição ilustrada. A versão em quadrinhos teve a sequência lançada em outubro. A graphic novel é disponível apenas em inglês. 

sábado, 28 de março de 2015

A verdade no fundo da caverna

A obra é um misto de livro ilustrado e graphic novel
Um pai à procura da filha desaparecida há mais de dez anos, um ladrão e um tesouro oculto numa caverna misteriosa. Esses são os elementos quase simples que Neil Gaiman - autor inglês de romances e quadrinhos mais conhecido por Sandman - usou para compor A verdade é uma caverna nas montanhas negras. O conto, publicado em 2010 na antologia Stories, ganhou edição própria ilustrada por Eddie Campbell, artista consagrado por seu trabalho em From Hell, de Alan Moore.

A história se passa nas Black Cuillins, Ilha de Syke, paisagem que o escocês Campbell conhece muito bem e fascinou Gaiman. A obra é um misto de graphic novel e livro ilustrado, em que texto e imagens conversam muito bem para criar o clima sombrio da narrativa. 

O pai é um anão que contrata um ladrão como guia até a caverna onde espera encontrar a verdade sobre o desaparecimento da filha. Por não encontrar equivalente em português, Augusto Calil, tradutor do texto, optou por manter a expressão border reaver em inglês para o personagem que, há séculos, assaltava indistintamente ingleses e escoceses nas fronteiras entre os dois países. 

A viagem é úmida, sombria e perigosa. A relação entre os dois homens é tensa e desconfiada: um não está certo das respostas que vai encontrar, outro pensa no ouro guardado na caverna. Aqui Gaiman se apropria do modelo de jornada por territórios pouco conhecidos, envoltos em névoas e nuvens, reunindo uma dupla improvável de um anão cheio de segredos e um ladrão movido pela ambição.

O desfecho me lembrou o enredo das pulp fictions dos anos 1940 e 1950, reproduzidas em revistas como Weird Tales e Cripta, no Brasil. Mas a narrativa é boa, tanto o texto de Gaiman quanto o visual das ilustrações de Campbell. Vale a leitura.

Valeria mais ainda assistir a performance de Gaiman. Ele tem feito leituras do conto em teatros com projeção das ilustrações de Campbell (as do livro e outras inéditas), ao som do quarteto de cordas australiano FourPlay, que conta em seu repertório com o tema do seriado Doctor Who. Gaiman é um excelente narrador, como pude conferir em sua leitura de O oceano no fim do caminho.

A verdade é uma caverna nas montanhas negras foi lançado no Brasil pela Intrínseca em uma bem cuidada edição de 80 páginas com capa dura. Custa R$ 34,90 na versão impressa e R$ 19,90 na eletrônica.