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domingo, 10 de dezembro de 2017

Pinhead caiu no ridículo

Parece que ter virado boneco colecionável desmoralizou o personagem

Clive Barker foi inovador ao criar a figura assustadora dos Cenobitas, mas em "Evangelho de Sangue", seu último romance (2011) parte para uma aventura juvenil. Em uma abordagem demasiadamente clichê do tipo "bem contra o mal", um time de sensitivos resolve resgatar uma integrante do grupo, sequestrada por Pinhead e levada para o inferno.

Os intrépidos vigilantes do bem encontram um inferno em que funcionários públicos, policiais e burocratas usam uniformes, com suas respectivas cores. Ou seja, nem precisavam ter saído da Terra para encontrar gente de má vontade uniformizada. Mas é preciso resgatar a amiga, e acabam se vendo dentro de um rebuliço por conta do golpe de estado promovido por Pinhead (de novo: precisavam ter saído daqui?).

À sua costumeira aposta na escatologia e na descrição pormenorizada das torturas inflingidas às vítimas, Clive Barker acrescenta pormenorizadas descrições de maus cheiros. Nisso o autor é muito bom, mas cai no ridículo ao incluir a todo momento diálogos pueris, que beiram o ridículo levando-se em conta a situação - e o local - em que os personagens se encontram.

Me parece que ter virado boneco Funko Pop fez muito mal a Pinhead.

domingo, 20 de setembro de 2015

Pinhead está nas livrarias

Pinhead, um dos personagens mais assustadores da literatura de horror

Vampiros, lobisomens, mortos-vivos e múmias frequentam a imaginação das pessoas muito antes de a literatura fantástica se popularizar. Mitos antigos, esses seres ganharam relevância com a obra de Bram Stocker, Mary Shelley e o cinema. Mas os Cenobitas de Clive Barker, com suas cicatrizes, mutilações e perversidade, inovaram o gênero horror. "Eu vi o futuro do Horror... E seu nome é Clive Barker", disse Stephen King, em uma declaração muitas vezes citada.

O responsável por todo esse impacto é Pinhead, pálido, grotesco e cruel líder dos Cenobitas em The hellbound heart, novela que acabou originando uma série de filmes. O primeiro deles, Hellraiser - Renascido do Inferno, teve roteiro e direção do próprio Clive Barker. Assistir ao filme de 1987 hoje é estranhar roupas e penteados, mas Hellreiser é uma história que não envelhece.

A trama gira em torno de um cubo sugestivamente conhecido como Configuração do Lamento. Em troca da alma do interessado, decifrar o enigma do cubo abre portais para prazeres sem limites. Abre também caminho para a entrada dos Cenobitas, em uma dimensão onde dor e prazer, sensualidade e sadomasoquismo se confundem. Queira a pessoa que manipulou o cubo ou não. Não há espaço para arrependimentos.

Renascido do inferno resultou uma sequência de sete filmes no total, várias histórias em quadrinhos, inspirou outros artistas, personagens de cinema e bandas de rock. Mas, surpresa, a novela original só consegui achar em inglês. A editora Civilização Brasileira lançou os Livros de Sangue de Barker nos anos 1990, mas só agora a editora Darkside põe no mercado Hellraiser - Renascido do Inferno, no trigésimo aniversário do lançamento do título.

A "edição para colecionador" tem capa dura e custa R$ 49,90
Como tem sido característico da editora, o livro de 160 páginas chega em duas apresentações, brochura e capa dura, com tradução de Alexandre Callari. 

Ouvi recentemente uma entrevista com Clive Barker, recuperado após um longo período em coma, resultante de uma ida ao dentista. Voz abatida, traduzindo um enorme esforço para falar, o inglês de 62 anos de idade que elegeu Los Angeles como casa, mantém uma coleção de cobras, aranhas e ratos. Quanto dessas excentricidades alimentam sua imaginação eu não sei, mas quem gosta do gênero Horror precisa ler sua obra.