sábado, 21 de março de 2020

ReportagensReportagens by Joe Sacco
My rating: 5 of 5 stars

Nascido em Malta, Joe Sacco vive nos EUA mas tem uma visão particular de conflitos ao redor do mundo. Põe especial atenção nos efeitos que guerras, hostilidades emigrações têm nas camadas mais vulneráveis da população.
E faz jornalismo em quadrinhos, o que contribui para centralizar o foco na população civil que mais sofre com os efeitos dos conflitos e nos campos de refugiados. Pessoas que recorrem à vida militar como única alternativa de obter recursos financeiros também têm a atenção de Joe Sacco.
Enfim, um jornalista que dá voz aos que sofrem os efeitos de conflitos e rivalidades. Impressionante é contatar que muito dos graves problemas tem origem em crenças religiosas e apartheid social.
"Reportagens" traz coberturas feitas pelo jornalistas em diferentes partes do mundo, incluindo sua terra natal. Elas foram publicadas em periódicos que abrem espaço para essa linguagem de quadrinhos, vista por muita gente como voltada para crianças. No caso de Joe Sacco e outros autores, porém, não há nada de infantil. É preciso ler aos poucos, porque desperta emoções duras.


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domingo, 15 de março de 2020

Juncos ao ventoJuncos ao vento by Grazia Deledda
My rating: 5 of 5 stars

Grazia Deledda nasceu e viveu na Sardenha, Itália, nos primeiros anos de sua vida, fim do século 19. E é de lá, no momento em que essa ilha vivia um período decadente, que a autora traz a inspiração para sua principal obra, vencedora do Prêmio Nobel de 1926.

O romance gira em torno da vida de Efix, servo dedicado a uma família empobrecida, amargurado com dramas do passado. É fascinante o retrato que a autora faz de uma sociedade profundamente religiosa e ao mesmo tempo presa a antigas superstições. Camponeses, padres, benzedeiras, agiotas e mendigos convivem em uma trama com muito folclore e melancólica poesia. A narrativa é impregnada pelo relevo da Sardenha, imagens do Sol poente, o movimento dos juncos que dão título à obra.

Li o livro em edição da antiga Editora Opera Mundi, de 1971. A curiosidade é que "Canne al vento" foi traduzido para o português por Mario Mossa De Murtas, também nascido na Sardenha, e amigo de Grazia Delleda. Murtas, que viveu e morreu no Brasil, também escreveu a introdução e criou as belas ilustrações do livro.

A obra ganhou nova tradução para o Brasil feita por Maria Augusta Mattos para a Editora Carambaia, agora com o título de "Juncos ao vento". Caniços ou juncos, vale muito a leitura.


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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Lincoln in the BardoLincoln in the Bardo by George Saunders
My rating: 4 of 5 stars

Abraham Lincoln já enfrentava um terrível drama como presidente de um país dividido por um conflito civil, como foi a Guerra da Secessão nos Estados Unidos. Em fevereiro de 1862, viu-se diante de uma tragédia pessoal quando, pouco depois de completar 11 anos de idade, seu filho Willie morreu vítima da febre tifóide.

O sofrimento de Lincoln, visto vezes seguidas abraçado ao corpo de filho na capela do cemitério, causa comoção. Seu luto e as repercussões do episódio na época são o tema do escritor norte-americano George Saunders, até então conhecido por seus contos, ensaios, novelas e literatura infantil. "Lincoln no limbo", seu primeiro romance, acumulou prêmios e críticas positivas por sua originalidade.

No longo período de produção da obra, Saunders pesquisou documentos históricos e dá voz a "fantasmas" em vários depoimentos da época. O resultado é uma inovadora narrativa sobre perda e luto feita por 166 personagens. A versão em audiolivro é ainda mais arrojada: Saunders envolveu sua esposa, filhos, amigos, atores e atrizes como Julianne Moore e Susan Sarandon no projeto da Random House Audio que ouvi.

"Lincoln in the Bardo" foi lançado no Brasil como "Lincoln no Limbo" pela Companhia das Letras, com tradução de Jorio Dauster. Vale atentar para a contradição entre os muitos depoimentos acerca dos fatos que envolvem o drama da família Lincoln. Gente que declara ver olhos de cores diferentes nas mesmas pessoas, a Lua brilhando na mesma noite em que outros testemunharam uma tempestade. Uma obra original e interessante.


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

A fúriaA fúria by Silvina Ocampo
My rating: 5 of 5 stars

O insólito e o fantástico lapidados em 34 contos curtos, cuja leitura causa desde perturbação até um estado de surpresa e maravilhamento. A crueldade pode surgir de situações triviais, em meio a uma narrativa serena, pelas mãos de personagens banais e insuspeitos, ou mesmo crianças.


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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Medo ImortalMedo Imortal by Afonso Arinos
My rating: 5 of 5 stars

O encontro entre o gótico, o folclore e a cultura popular do Brasil na segunda metade do século 19 na visão de 12 escritores da primeira geração da Academia Brasileira de Letras. Tão talentosos quanto conservadores: barraram a entrada de Júlia Lopes de Almeida, cujo lugar foi garantido nessa coletânea por iniciativa de seu organizador, Romeu Martins.

Jornalista e escritor catarinense, Romeu propôs essa obra à editora DarkSide, e promoveu um verdadeiro resgate de contos e poemas esquecidos ou muito pouco conhecidos. Boa parte das narrativas vale mais pela curiosidade literária, outros resvalam pela pieguice, e alguns são confusos. Mas há muitos achados. É muito curioso o resultado da influência da literatura de fantasia e terror da Europa e Estados Unidos sobre contos e lendas do sertão brasileiro, onde se passam vários dos relatos.

Há de tudo: médicos que enlouquecem, sadismo, pedofilia, paixões trágicas, vício em drogas, relatos de desigualdade social tratados como histórias de horror - o que de fato são. Uma sugestão de vampirismo e outra de ficção científica completam o cardápio. Os relatos em que o sobrenatural se manifesta têm um saboroso viés de cultura cabocla.

Cada escritor é precedido de uma breve biografia e citações de trabalhos acadêmicos que contextualizam as obras e suas influências do exterior. E há relatos criativos que mais tarde seriam vistos em obras estrangeiras.

Machado de Assis abre a obra com quatro contos, mas senti falta da crônica "O autor de si mesmo", em que o escritor trata de um caso criminal envolvendo uma criança. Lamentavelmente, o horror muita vezes é real.

"Medo imortal" é um achado que merece ser lido tanto por quem gosta desse gênero literário como por admiradores da literatura brasileira. No mínimo, como desagravo a Júlia Lopes de Almeida. Autora, aliás, de alguns dos melhores contos dessa coletânea.


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domingo, 26 de janeiro de 2020

Review: A Visita Cruel do Tempo

A Visita Cruel do Tempo A Visita Cruel do Tempo by Jennifer Egan
My rating: 4 of 5 stars

O fascínio de "A cruel visita do tempo" vai além da melancólica narrativa que gira em torno da vida de músicos e pessoas ligadas ao universo da indústria fonográfica.

Jennifer Egan brinca com o leitor, instigado a montar um quebra-cabeças pela leitura que alterna primeira, terceira e mesmo a segunda pessoa ao longo dos 13 capítulos da obra. E a narrativa ainda se desenrola por anos, através do ponto de vista de diferentes personagens e em períodos não lineares de tempo. As histórias vão se conectando, relacionamentos se formam e terminam até o desfecho que se articula ao início da obra.

Uma curiosidade na boa tradução de Fernanda Abreu é a escolha do termo console para tablet. Não conheço ninguém que use essa palavra para equipamentos como iPads. O termo é mais comum para aparelhos de videogame. Estranho também o uso da letra T no lugar de e-mail ou mensagem.
Sem prejuízo para o resultado que, aliás, ficou com o belo título em português, superior ao original.

A citação do Los Angeles Times na capa - "O melhor livro que você terá nas mãos"- é exagerada. Mas ainda assim "A cruel visita do tempo" é uma excelente leitura.

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sábado, 18 de janeiro de 2020

Review: Dark Water Bride

Dark Water Bride Dark Water Bride by Marty Ross
My rating: 3 of 5 stars

Mistura de policial, suspense e horror gótico ambientado em uma Londres Vitoriana. Catriona, jovem filha de um bem-sucedido banqueiro, resolve investigar a morte do pai e descobre um submundo em que o horror não tem nada de sobrenatural.

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