On the Road, na estrada com os livros, traz resenhas, comentários, lançamentos, indicações de leitura e audiolivros, além de dicas gerais sobre o fascinante mundo da literatura. E uma pitada de seriados de TV e cultura pop.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
sábado, 23 de dezembro de 2017
Waterloo
Waterloo: The True Story of Four Days, Three Armies and Three Battles by Bernard CornwellMy rating: 5 of 5 stars
Excelente síntese da batalha que definiu a derrota de Napoleão. O autor ora descreve as decisões militares, a estratégia e os grandes movimentos táticos, ora coloca o leitor no centro dos combates, fechando o foco em detalhes e episódios do conflito.
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domingo, 17 de dezembro de 2017
Stephen King não ficou bom em HQ
sábado, 16 de dezembro de 2017
O preço do sal
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| Livro ganhou recente versão para o cinema com Cate Blanchett e Rooney Mara |
Patricia Highsmith é uma exímia artífice de atmosferas. A maneira como ela enreda as duas protagonistas de "Carol" - a que dá nome ao romance e Therese Belivet - em um clima de progressiva angústia contamina o leitor. O sentimento entre as duas mulheres começa no frenético clima de Natal em Nova York e vai num crescendo de intensidade enquanto a trama se converte em um road book.
De cidade em cidade, entre momentos de dúvida, melancolia e discreta felicidade, tudo parece conduzir para um desfecho infeliz. E não falta o toque de suspense da criadora de "Strangers on a Train" - levado aos cinemas por Alfred Hitchcock como "Pacto sinistro".
"Carol" foi lançado em 1952 com o título original "The price of salt", assinado sob o pseudônimo Claire Morgan. Patricia Highsmith conta que o nome foi inspirado em um pensamento seu sobre o preço pago pela esposa de Lot quando ela olhou de volta para Sodoma, no episódio bíblico em que pessoas são punidas e transformadas em estátuas de sal pela desobediência de não testemunhar a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra.
"The price of salt" só viria a ser publicado como "Carol" em 1990, agora com o nome da autora. Patricia Highsmith revelou na ocasião ter ela mesmo trabalhado em uma loja de departamentos no período do Natal, quando sua atenção foi chamada por uma mulher vestindo um casaco de pele. Foi para casa, relata, e esboçou o livro em poucas horas. Logo após a publicação do livro, Highsmith conta que passou a receber de 10 a 15 cartas toda semana, agradecendo e pedindo conselhos.
“Antes deste livro, os homossexuais, masculinos e femininos, nos romances americanos, eram obrigados a pagar pelo seu desvio cortando os pulsos, se afogando em piscinas, ou mudando para a heterossexualidade (assim se afirmava) ou mergulhando – sozinhos, sofrendo, rejeitados – em uma depressão dos infernos”, afirmou a autora sobre o sucesso da obra.
domingo, 10 de dezembro de 2017
Pinhead caiu no ridículo
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Parece que ter virado boneco colecionável desmoralizou o personagem |
Os intrépidos vigilantes do bem encontram um inferno em que funcionários públicos, policiais e burocratas usam uniformes, com suas respectivas cores. Ou seja, nem precisavam ter saído da Terra para encontrar gente de má vontade uniformizada. Mas é preciso resgatar a amiga, e acabam se vendo dentro de um rebuliço por conta do golpe de estado promovido por Pinhead (de novo: precisavam ter saído daqui?).
À sua costumeira aposta na escatologia e na descrição pormenorizada das torturas inflingidas às vítimas, Clive Barker acrescenta pormenorizadas descrições de maus cheiros. Nisso o autor é muito bom, mas cai no ridículo ao incluir a todo momento diálogos pueris, que beiram o ridículo levando-se em conta a situação - e o local - em que os personagens se encontram.
Me parece que ter virado boneco Funko Pop fez muito mal a Pinhead.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
O pesadelo da história
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| A obra foi transformada em série para o serviço de vídeo sob demanda Hulu |
O mais assustador do livro "O conto da aia", de Margaret Atwood, não é o clima sombrio que perpassa toda a trama, mas a sensação sempre presente de que as situações descritas poderiam de fato ser reais. E são, segundo costuma afirmar a própria autora em entrevistas.
A canadense Margaret Atwood, hoje com 77 anos de idade, viveu parte de sua vida "do outro lado" do que se convencionou chamar de Cortina de Ferro, o bloco de países além do muro de Berlin sob influência da extinta União Soviética. O medo constante de falar algo inadequado a um possível espião do regime, as conversas sussurradas e o risco de uma delação eram sombras onipresentes na vida das pessoas.
A touca "tapa-olhos" usada por Jane/Offred, protagonista vivida pela atriz Elisabeth Moss, o regime teocrático e autoritário e a prática de manter mulheres na função de reprodutoras para gerar e parir crianças que serão "filhos" de casais de uma elite infértil são práticas já experimentadas por grupos sociais ao longo da história, ou ainda em vigor em determinadas localidades.
"O conto da aia" ("The handmaid's tale") foi lançado em 1985 e, embora Margaret Atwood seja uma escritora premiada, a obra tornou-se um grande sucesso de vendas - e uma muito bem executada série no serviço de video-streaming Hulu - apenas nos últimos dois anos. A razão é o público ter começado a perceber semelhanças entre a obra de ficção e a onda conservadora que se manifesta em diferentes regiões do planeta, com a ascensão ao poder de instituições, políticos e grupos religiosos de discurso reacionário.
Margaret Atwood não se declara propriamente militante feminista, mas sua obra em geral e "O conto da aia" em particular põem em foco condições e ambientes de opressão às mulheres. Mais do que isso, retratam sociedades repressivas, às vezes movidas por fundamentalismo religioso. Qualquer semelhança com a história não é mera coincidência.
A canadense Margaret Atwood, hoje com 77 anos de idade, viveu parte de sua vida "do outro lado" do que se convencionou chamar de Cortina de Ferro, o bloco de países além do muro de Berlin sob influência da extinta União Soviética. O medo constante de falar algo inadequado a um possível espião do regime, as conversas sussurradas e o risco de uma delação eram sombras onipresentes na vida das pessoas.
A touca "tapa-olhos" usada por Jane/Offred, protagonista vivida pela atriz Elisabeth Moss, o regime teocrático e autoritário e a prática de manter mulheres na função de reprodutoras para gerar e parir crianças que serão "filhos" de casais de uma elite infértil são práticas já experimentadas por grupos sociais ao longo da história, ou ainda em vigor em determinadas localidades.
"O conto da aia" ("The handmaid's tale") foi lançado em 1985 e, embora Margaret Atwood seja uma escritora premiada, a obra tornou-se um grande sucesso de vendas - e uma muito bem executada série no serviço de video-streaming Hulu - apenas nos últimos dois anos. A razão é o público ter começado a perceber semelhanças entre a obra de ficção e a onda conservadora que se manifesta em diferentes regiões do planeta, com a ascensão ao poder de instituições, políticos e grupos religiosos de discurso reacionário.
Margaret Atwood não se declara propriamente militante feminista, mas sua obra em geral e "O conto da aia" em particular põem em foco condições e ambientes de opressão às mulheres. Mais do que isso, retratam sociedades repressivas, às vezes movidas por fundamentalismo religioso. Qualquer semelhança com a história não é mera coincidência.
domingo, 27 de agosto de 2017
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