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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Crooked HouseCrooked House by Agatha Christie
My rating: 3 of 5 stars

Agatha Christie dizia que "A casa torta" era um de seus romances preferidos. É também o escolhido entre os melhores para alguns fãs da autora. Entre ouras curiosidades, não conta com a participação do célebre detetive belga Hercule Poirot, nem com Miss Marple.
Mas é uma novela policial com as principais características da autora. Um crime, um grupo de pessoas que podem tê-lo cometido. A originalidade, em "A casa torta", fica por conta de a investigação ficar a cargo da Scotland Yard, mas com participação especial de um dos envolvidos na trama - ainda que de forma indireta.
Todo cuidado nesse comentário é pouco para não estragar a surpresa dos leitores na leitura dessa trama, cuja publicação completa 70 anos agora em 2019. Mas praticamente todos que poderiam ter cometido o crime não tinham motivo para isso. Há toques de sarcasmo com relação a comunistas, católicos e mesmo Sherlock Holmes. E a solução do caso é ousada e surpreendente.


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A morte de Hercule Poirot

A morte do detetive teve obituário no New York Times
É possível manter o interesse quando já se sabe que o personagem principal estará morto no desfecho de um romance policial? Se a vítima é Hercule Poirot e a autora é Agatha Christie, sem dúvida. Embora anunciada na capa como "o último caso" do famoso detetive belga,  a trama atraiu a atenção dos incontáveis fãs da escritora inglesa - uma dos autores mais vendidos do mundo -, interessados em saber como seria a despedida de seu herói.

A trama é narrada por Arthur Hastings, velho companheiro de Poirot. Ambos voltam ao local de um antigo crime, descrito em "O misterioso caso de Styles", novela de estreia de Agatha Christie, publicada em 1920. 

O romance tem os exageros característicos da obra de Agatha Christie, como a concentração de assassinatos em uma só lugar, múltiplos suspeitos e motivações. Mas, embora não seja a obra preferida da própria autora, é interessante porque ela teve a coragem de matar seu famoso detetive Hercule Poirot, coisa que o contrariado Arthur Conan Doyle, seu conterrâneo, não pode fazer com Sherlock Holmes. Doyle tornou-se um escritor a serviço de um personagem. 

"Cai o pano" foi escrito em 1940, mas os originais ficaram trancados em um cofre de banco por mais de três décadas. autora  tinha medo de morrer durante a Segunda Guerra Mundial e deixar seus leitores sem um desfecho para seu herói. Agatha Christie autorizou a publicação de "Cai o pano" apenas em setembro de 1974. O livro foi lançado no Brasil no ano seguinte, em edição da Nova Fronteira traduzida por Clarice Lispector.

Lida em mais de 100 idiomas, Agatha Christie morreu em janeiro de 1976, meses após a publicação de seu último livro em vida, justamente "Cai o Pano". Os leitores lamentaram a morte de Hercule Poirot e, logo em seguida, de sua criadora. Ambos eram celebridades, e a perda não foi sentida apenas pelos fãs: o New York Times publicou o obituário do detetive belga na primeira página, com direito a foto.